este bebê que chora no carrinho sou eu

sacolejando são clemente afora abismada com arranha-céu que sou da roça, os santos me atravessam. santa marta santo inácio como pode uma casa ser igual uma favela inteira? cadê a fita métrica de deus?

Anúncios

poquito más

Ana d´Angelo

 

O contrabaixo que pontua a salsa é a melhor orientação para uns dias em Cartagena de las Indias. Seguir o ritmo do instrumento será dica única e fundamental para caminhar pelas ruas do século XVI, conversar com a alegre gente cartagenera, comer sua comida salpicada de banana e côco e rum, ler seu mais ilustre habitante, Gabriel García Marquez, e visitar os sítios de interesse, dar a volta completa pela muralha construída para proteger esta considerada uma das mais belas cidades do nosso continente, quiçá de mundo afora.

Quando Gabo chegou em Cartagena, a dona da pensão lhe advertiu: “Acá todo es distinto”. E o então jornalista não se fez de rogado. Viu um povo curioso e escreveu como ninguém histórias que exalam a paixão caribenha e as contradições de um lugar vítima de mais uma tacada da dominação espanhola, ataques de piratas, que recebeu negros vindos da África…

Ver o post original 240 mais palavras

1a MAX- Minas Gerais Audiovisual Expo

Assessoria de imprensa nacional

maio e junho/2016

 

http://cultura.estadao.com.br/noticias/televisao,atual-temporada-de-dez-mandamentos-ja-supera-1a-em-ibope,1875179

http://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/mercado/minas-gerais-lanca-pacote-para-virar-potencia-audiovisual-e-atrair-novelas-11539

http://entretenimento.uol.com.br/noticias/efe/2016/05/31/evento-em-belo-horizonte-busca-potencializar-mercado-audiovisual-no-pais.htm

http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2016/06/primeira-minas-gerais-audiovisual-expo-comeca-nesta-quarta-em-bh.html

http://www.filmeb.com.br/noticias/distribuicao-producao/mg-recebe-primeiro-grande-encontro-audiovisual

 

http://www.nordestenews.com.br/noticias/mercado-audiovisual-se-reune-em-bh-nesta-semana-para-fomentar-negocios-e-compartilhar-conhecimento/97878?ano=2016&mes=05

http://revistadecinema.uol.com.br/2016/04/minas-gerais-audiovisual-expo-max-abre-inscricoes-para-rodada-de-negocios/

http://www.culturaemercado.com.br/site/noticias/minas-gerais-audiovisual-expo-acontece-em-junho/

http://www.jb.com.br/cultura/noticias/2016/04/29/abertas-inscricoes-para-a-minas-gerais-audiovisual-expo/

http://convergecom.com.br/telaviva/11/05/2016/minas-tem-congresso-de-audiovisual/

http://www.filmeb.com.br/noticias/nacional-producao/minas-investe-r-235-milhoes-no-audiovisual

https://almanakito.wordpress.com/2016/06/01/almanakito-01-de-junho-2016-rossellini-anna-magnani-e-ingrid-bergman-a-guerra-dos-vulcoes-as-sufragistas-maxexpo-mg-anuncia-r-235-milhoes-para-o-audiovisual-cineop-programacao/

http://www.correiodobrasil.com.br/governo-de-mg-lanca-programa-de-desenvolvimento-do-audiovisual-mineiro/

http://www.latamcinema.com/minas-gerais-potencia-su-industria-audiovisual-en-la-primera-edicion-de-max/

http://www.exibidor.com.br/noticias/mercado/5356-minas-gerais-audiovisual-expo-apresenta-nova-abordagem-do-governo-para-o-setor
http://www.exibidor.com.br/noticias/mercado/5357-1-max-aborda-engajamento-em-crowdfundig-e-poder-de-big-data-para-o-mercado
http://www.exibidor.com.br/noticias/mercado/5363-sebrae-mg-comenta-importancia-do-cinema-como-negocio
http://www.exibidor.com.br/noticias/mercado/5364-minas-gerais-audiovisual-expo-tem-mapeamento-do-mercado-e-film-commissions
http://www.exibidor.com.br/noticias/mercado/5365-cinema-infantil-e-realidade-virtual-novos-nichos-de-interesse-para-o-mercado
http://www.exibidor.com.br/noticias/mercado/5370-minas-gerais-audiovisual-expo-termina-com-incentivo-da-ancine-ao-audiovisual-mineiro
http://www.exibidor.com.br/noticias/mercado/5371-com-12-salas-circuito-spcine-recebeu-quase-25-mil-espectadores-em-dois-meses
http://www.exibidor.com.br/noticias/mercado/5372-evento-em-minas-gerais-recebe-lancamento-nacional-do-cine-virtual
http://www.exibidor.com.br/galerias/468-max-minas-gerais-audiovisual-expo

Manchete

A vida é importante! A vida é importante! A vida é importante! A vida é importante! A vida é importante! A vida é importante! A vida é importante! 

Hoje era pra todo mundo gritar bem alto que a vida é o que existe de mais importante. Niemeyer dizia que a arquitetura não interessa tanto, a vida é mais importante. Hoje não interessa registro de partido, currículos de dirigentes, homem escalando prédio sem segurança, restituição de imposto de renda, fusão de telefônicas, pesquisa eleitoral. Hoje interessa que a vida é o que importa!! Não dá pra inverter o sentido do mundo.  um jogador de futebol não pode ganhar mais que um cientista que dedica uma vida à pesquisa. Amarildo foi torturado e morreu. A PM mantém células de tortura em plena democracia. A PM bate em professor que está na rua legitimamente. A PM planta armas pra incriminar inocentes. A PM age a mando dos dirigentes que nós elegemos! Eles nos representam. Eles não nos representam. Essa gente não pode continuar decidindo.  Hoje não interessa o facebook, o celular, o ipad, o iphone, a impressora, o filme, o festival de cinema, o festival de música, o texto, o emprego, a compra, o salão, o ônibus, nem o mar interessa tanto hoje. Hoje não importa o jornalismo, o periodismo, o pedantismo, o terrorismo, a arte ativismo, o populismo. Nem vem com subalternos, old school, vintage, cool, sale, OFF, Sebrae. Não interessa forma e conteúdo nem make up mash up get up stand up shut up

A vida é importante! A Vida é importante! A vida é importante! A vida é importante! A vida é importante! A vida é importante! A vida é importante! A vida é importante! A vida é importante! A vida é importante!

Risadas Gigantes

Risadas gigantes

 

Nossas férias de julho na infância invariavelmente passavam por belo horizonte. Andar de escada rolante, ir ao shopping, lojas americanas, zoológico, parque municipal. Este conjunto era irresistível para as crianças do interior, será que ainda hoje? São João ganhou um tímido shopping Center, se preserva de alguma maneira da arquitetura horripilante que domina cidadezinhas que vão se enricando. Também, são João não enricou, cresceu com os estudantes da universidade federal, mas mantém botecos baratos, comida boa e farta, poucos cafés, todo mundo toda café em casa. São João é uma grande classe C só que com muito charme e tradição. Sou coruja da minha terra.

Na capital tínhamos lugar pra ficar, Tia Carmo mora lá e sempre nos recebeu para férias enormes, dez, quinze, vinte dias de uma família de quatro em sua casinha do Padre Eustáquio. A religiosidade nos acompanha uma vida toda. Tia Carmo tem a risada mais calorosa e comprida que conheço. Ficávamos horas à mesa do café, depois do almoço, antes do jantar, a qualquer hora, entre os passeios de criança. Me lembro de ter muito sono no Jardim Zoológico, o sol forte na minha cabeça, aqueles bichos todos se arrastando na poeira da Belo Horizonte seca e um pouco triste. Mas gostava muito do hambúrguer das Lojas Americanas, uma taurina sempre há de se divertir com comida.

Flávia, Carla, Juliana, Marcinha, sempre tinha muitas crianças na casa da tia Carmo.  Fernanda ia com a gente algumas vezes. Brincávamos muito nas grades de entrada da casa do Padre Eustáquio, rua Itororó, já me encantava com nomes, uma casa na rua Itororó nas férias já configurava o mundo da fantasia, pra citar mais um livro da época do um dígito.

E a tia Carmo é uma das várias irmãs da família grande da mamãe. Sempre achei o máximo família grande porque a nossa sempre foi pequena. Aquelas casas sempre abertas recebendo um entra-e-sai de gente de vários tamanhos e estórias.

Quando se juntam as outras irmãs da mamãe incluindo a tia Carmo se ouve uma onda sonora gigante avassaladora contagiante uma roda gigante. Na família delas, os homens são melhores de morrer. Das mulheres morreu a ziza que ria fazendo uma covinha na face e ficando muito vermelha dado que era tímida.

Essas mulheres levam a vida entre prazer e dor, como a maioria de nós. Fazem piada da morte, entretanto, e lideram bastante também. Herdei um pouco das duas coisas. E o gosto pelo macarrão com bastante molho de tomate e queijo ralado. Um bom macarrão no domingo. Em que a panela de arroz fica intacta. Fico confortável hoje na minha vida com ondas de risadas, acredito piamente nas risadas sonoras e desconfio de quem ri de lado. 

Remancheando (do Henrique, companheiro que a vida me trouxe)

 

Não sei se você viu – na época que em que passou nos cinemas, você ainda não tinha menstruado a primeira vez – mas eu vi com minha mãe no cinema Ópera, que ficava na praia de Botafogo. O cinema virou Casa e Vídeo… Eu tinha mania de levar minha mãe pra ver filmes de esquerda, pra ver se fazia a cabeça dela, filha de milicos, fã dos rapazes de uniforme… Acho que ela mudou bastante com os anos, mas não foi por causa de “Sacco & Vanzetti” (com uma música dolorosamente cantada pela Joan Baez, de chorar) ou por causa de “A classe operária vai ao paraíso”…

 Mas ao que interessa: o filme é “Eles não usam black-tie” e tem uma cena linda da Fernandona com o Guarnieri, marido e mulher, ele operário, ela não me lembro se do lar ou também operária… Os dois sentados à mesa, catando feijão – na época, o feijão não era “selecionado eletronicamente” como hoje, então vinha muita pedra, caroço brocado, etc… Então, mas os dois sentados à mesa catam o feijão, delicadamente, carinhosamente, arrastando o tempo em que estão juntos, um cuidando do outro com o olhar, com o gesto, tristes com as dificuldades da vida dura, mas absolutamente felizes naquele encontro…

Então, catei na janela os grãozinhos de miolo de pão que você picou docemente, delicadamente, cuidadosamente pra não engasgar os passarinhos que os comessem. Tempo passou e nenhum bobo apareceu, apressados que eles passam por aqui, talvez por causa do gato horroroso da vizinha horrorosa… Os miolinhos ficaram duros, parecem grãos de arroz. Guardei, encantado que estou, por causa do gesto, por causa do olhar, por causa da não pressa daquele instante em que te amei de um jeito novo. A palavra da minha bisavó me socorre pra explicar: quando eu demorava pra fazer alguma coisa que ela pedia, ela dizia pra eu parar de remanchear, “fica remancheando aí, menino…” Recentemente, descobri no dicionário que o verbo é “remanchar”, que vem de remanso, calmo… Pois é, aquele momento foi assim, você picando os miolinhos, eu te olhando igual uma criança olha uma coisa linda que nunca viu antes com olhar de remanso.  Nunca tinha visto ninguém desse jeito! Que jeito? Ah, sei lá, esse aí quando você fica uma menina que tem todo o tempo do mundo. E fica docemente cuidando dos passarinhos que não vêm comer, mas adoram o carinho.