poquito más

 

O contrabaixo que pontua a salsa é a melhor orientação para uns dias em Cartagena de las Indias. Seguir o ritmo do instrumento será dica única e fundamental para caminhar pelas ruas do século XVI, conversar com a alegre gente cartagenera, comer sua comida salpicada de banana e côco e rum, ler seu mais ilustre habitante, Gabriel García Marquez, e visitar os sítios de interesse, dar a volta completa pela muralha construída para proteger esta considerada uma das mais belas cidades do nosso continente, quiçá de mundo afora.

Quando Gabo chegou em Cartagena, a dona da pensão lhe advertiu: “Acá todo es distinto”. E o então jornalista não se fez de rogado. Viu um povo curioso e escreveu como ninguém histórias que exalam a paixão caribenha e as contradições de um lugar vítima de mais uma tacada da dominação espanhola, ataques de piratas, que recebeu negros vindos da África e de como essa mistura se espalhou pelas ruas em forma de arepitas, salsas, rumbas, gambiarras para driblar a pobreza material, nunca a de espírito.

A casa amuralhada do Premio Nobel vale mais pela diversidade de opiniões que taxistas, ambulantes, moradores lhe atribuem. É aquela, não, é aquela outra, mais adiante, ele mora aí, não, mora no México. Sua figura mítica povoa bares e restaurantes e vai haver muitos cartageneros a narrar noitadas inolvidables com o escritor, que dançou, tocou, bebeu.  

Vida moderna, pero no mucho

Ao lado de sofisticados e impessoais hotéis cinco estrelas, o visitante vai encontrar, com distância de poucos metros, gente da cidade jogando xadrez com garrafas pet cheias de areia e decoradas para se fazer a distinção entre as peças no meio da praia. Vai ser abordado também pelos fazedores de chamadas,  os que alugam minutos de telefone celular e fazem ligações para qualquer parte a preços módicos. A profissão informal é salva-vidas para um lugar onde o desemprego é alto, a despeito do turismo intenso que toma Cartagena o ano inteiro. Nadil é pedreiro, mas ficou sem trabalho nos últimos tempos, e se agarrou nas chamadas alugadas para sustentar sua família. Seu ponto é no bairro de San Diego, perto do supermercado, onde, ao final de cada mês, ele consegue 20 mil pesos colombianos, cerca de R$ 20, para discar onde você quiser.  

continua nas bancas, revista Viver Brasil, a pagar las cuentas

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